Reportagem: Mauricio Max e Rosiene Carvalho
A velocidade com que o fogo se alastra pela mata assusta os indígenas que vivem no entorno da BR-319, no Amazonas. (Ouça)
A comunidade Camuti, na aldeia Tauari, que fica na cidade de Autazes, a cerca de 100 quilômetros de Manaus, tem frequentes incêndios no período seco que afeta a região amazônica.
A indígena mura Ana Rita Gonçalves de Andrade relembra episódio recente de combate ao fogo em que um poço sem bomba e a força tarefa de vizinhos salvaram a sua moradia, mas ainda assim causou danos a outras instalações, como chapéu de palha utilizado para reuniões dos moradores. (Ouça)
O aceiro é uma técnica usada com palhas para fazer uma espécie de corredor para que o fogo não se alastre para outras áreas.
Os prejuízos do incêndio também se estenderam a alimentação dos indígenas que vivem na aldeia, já que a plantação também foi queimada, segundo a agricultora Alice Pimentel. (Ouça)
A fumaça registrada nos céus da capital nos últimos dias também é causada pela maioria dos focos em cidades do interior.
Desde julho, as queimadas se intensificaram em comunidades rurais e áreas urbanas no entorno da BR-319. Neste mês de setembro, o governo do Amazonas decretou estado de emergência ambiental nas regiões mais devastadas pelo fogo.
Lábrea, Manicoré e Humaitá são 3 dos 13 municípios inclusos no decreto que estão na área de influência e expansão do desmatamento da rodovia.
Mesmo fora da lista, Autazes tem quase o dobro de queimadas em relação ao ano passado. São 223 focos até o momento no mês de setembro, contra 132 registrados em 2022.
Dona Maria Pantoja, de 69 anos, relata que a falta de uma bomba para o poço da comunidade Camuti também é motivo de preocupação. (Ouça)
A saúde dos indígenas também é uma das preocupações para quem vive na região. A Lavine Mura afirma que tem passado dificuldades com o filho de dois anos por causa da fumaça. (Ouça)
Segundo os moradores da aldeia Tauari, a proporção dos incêndios é tão grande que em uma única vez que o corpo de bombeiros, os esforços da equipe não foram suficientes para conter as chamas.
Dados do sistema Alarmes do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ (Lasa/UFRJ) estimam que Autazes queimou, até agora, o equivalente a 41,5 mil campos de futebol.
O valor supera em 248% as queimadas registradas no mesmo período do ano passado, quando cerca de 11,9 mil campos de futebol incendiaram.
O Amazonas tem cerca de 6 mil e 700 focos de queimadas em setembro até o momento. O número é o segundo maior da série história, menor apenas que o do ano passado, quando foram registrados 8.600 pontos de fogo.
Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE.